Peroá, ou porquinho, e a busca por comer o peixe inteiro

1 de fevereiro de 2017 15 Comentários por Maria

No ES, onde cresci, a tradição nos quiosques à beira-mar era comer peroá. Peixe farto, barato, com carne branca, úmida e de sabor suave. Lá pelo final dos anos 90, talvez começo dos 2000, esse cenário começou a mudar: o peroá tornou-se mais escasso e seu preço foi pras alturas. Passou a ser raro eu comer um na praia.

Em 2010 mudei para Ubatuba. Em alguma visita à peixaria, olhei desconfiada para o peixe porquinho, cujo nome nunca tinha escutado antes, mas a fisionomia me era muito familiar. “Ele é parente do peroá?” – perguntei. Sim, tratava-se do mesmo. Ou, ao menos, da mesma família, conforme me explicaram quando questionei o porquê do peroá ser tão maior que o porquinho. Já nos artigos que li, não havia essa diferenciação e isso me preocupou. Será que pelas bandas de cá estamos comendo filhotes? Se alguém tiver conhecimento sobre essa questão, por favor comente este post para colaborar com o consumo consciente. 

Peroá porquinho peixe-porco

Anos se passaram até eu novamente olhar com curiosidade para o peixinho. Isso aconteceu semana passada, na peixaria Ubatubana.

– “Mas por que vocês só vendem ele sem cabeça e sem pele?”
E escutei que o couro era duro e cheirava forte.
– “Pela minha lembrança, com quase toda certeza a gente comia o peroá com pele e tudo, e a bochecha…, ah, que iguaria!”
– “Quer levar um e testar?” – o peixeiro perguntou.
Nem preciso dizer qual foi minha resposta, né?!

O resultado está aqui: uma casquinha crocante e saborosa por fora, uma carne branca e úmida por dentro.

Peroá peixe-porco porquinho peixe frito

Preparar um peroá frito é simples assim:

Ingredientes
Peroá limpo (sem a barrigada)
Farinha de trigo para empanar
Óleo para fritar
Temperos a gosto (usei páprica picante, limão, alho, azeite, sal e coentro)

Modo de fazer
Em um prato raso, junte a farinha com páprica e sal. Em outra vasilha, msture os temperos.

Faça três cortes transversais em cada lado do peixe e besunte-os com o tempero. Passe o peixe na farinha de trigo envolvendo-o completamente.

Aqueça o óleo com um palito de fósforo dentro. Quando ele acender, coloque o peixe para fritar.

Assim que dourar um dos lados, vire o peixe e aguarde dourar o outro. Retire do fogo e transfira para um prato com papel toalha para absorver a gordura.

Sirva ainda quente.

15 Comentários

  1. Fabiola
    12 meses atrás

    Maria querida
    vc desvendou um grande ” misterio” que eu _ que fiz o mesmo roteiro que vc _ Vitória e Ubatuba – tinha quando sonhava saborear um peroá em Ubatuba.
    Comprei aqui com a Cidinha vende na praia do Itagua
    uns porquinhos e tinham um sabor familiar … mas veio só o filé
    Agora já vou fazer aos moldes capixabas
    É devorar com um limão e brejinha artesanal
    Me acompanha?
    Bjs
    Fabíola

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    • Maria
      12 meses atrás

      Ahá! Adorei saber disso.

      Voltei ontem do ES e soube que lá eles tiram a pele para fritar. Então, temos uma missão: preparar de uma só vez e comparar ele frito com pele sem farinha, frito empanado com pele e frito empanado sem pele. Bora? ;)

      Responder

  2. Nayara Cristina Jorge
    12 meses atrás

    Maria, sou de Birigui, SP e no rio Tietê aqui (sim, ele mesmo) se pesca muito porquinho. Não sou pescadora, mas meu marido arrisca as vezes e me disse que são normalmente pequenos mesmo; que é bem pouco provável que um seja filhote do outro. Mas não somos especialistas para afirmar com 100% de certeza.

    Vou tentar fazer dessa maneira que você sugere; normalmente fazemos cozido ou frito em pedaços.

    Um beijo!

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    • Maria
      12 meses atrás

      No Tietê?!!!

      Nunca comi porquinho cozido. Quando experimentar dessa maneira, me conta o que achou?

      Beijo e obrigada pela contribuição. :)

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  3. elisa
    11 meses atrás

    amei o blog

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  4. Alcidia
    11 meses atrás

    Um pouco como os janquizinhos, peixinho bem frito com umas rodelas de limão são uma delicia… para comer com moderação :) parabéns pelo blog e bjs

    http://www.iguaria.com/

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  5. Rodrigo
    11 meses atrás

    Ótimo site, Voltarei sempre!

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  6. elisa
    11 meses atrás

    amei o blog mais que perfeito

    Responder

  7. Rui
    2 meses atrás

    Que legal esse post!
    Cresci comendo porquinho frito inteiro no litoral de SP, hoje moro no sul e ninguém faz idéia da existencia desse peixe.
    Obrigado pela nostalgia e pelas dicas!

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    • Maria
      2 meses atrás

      Fico feliz por ter resgatado essa memória aí. :)

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  8. Thais Zochi
    1 mês atrás

    Maria, Maria!

    Estou morando em Ilha Comprida e aqui se come muito porquinho nos quiosques, servem frito em pedaços empanados.

    Tem uma história que em alguma época do ano tem tanto porquinho no mar que dá pra pescar com pusal (aquela rede pequenininha, não sei se é esse o nome correto) na beira da água. Se eu descobrir se é verdade te conto!

    Parabéns pelo blog, está maravilhoso!

    Beijos

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    • Maria
      3 semanas atrás

      Obrigada, Thais!

      Sei que tem épocas de muita fartura e preço baixo. No próximo ano vou até estocar um pouquinho. ;)

      Responder

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