Ravioli de banana da terra

Recentemente visitei minha avó e suas estórias de cozinha. Além de muito afeto essa visita me rendeu o fascínio por ter um pequeno galinheiro – não pelas galinhas mas sim pelos ovos – e o desejo de fazer macarrão em casa. Não conheci seu quintal nos tempos produtivos mas com frequência ouço as estórias das galinhas ao molho pardo e dos macarrões preparados por ela todo santo domingo, sempre seguidos de doce de figo verde recém-colhido. Contam inclusive que nesses almoços meu avô comia, sozinho, um frango inteiro! Perguntei pela antiga máquina de abrir massa, aposentada depois de muitos e muitos anos de uso, e escutei minha vó dizer “aquela eu dei pra alguém que já nem lembro, mas manda orçar uma e me diz quanto custa”. Ri com a resposta, um pouco pela maneira como foi dita, um tanto pelo carinho e orgulho contidos nela ao ver uma neta se interessando por atividades tão pouco comuns nos dias atuais. Concordei em olhar o preço mas ponderei que apesar de adorar máquinas na cozinha, antes eu queria a certeza de que realmente a usaria.

De volta para casa, não tardei em adentrar na cozinha com farinha, ovos, banana da terra e vinho. Do meu livro companheiro, Chefs – Segredos e Receitas, veio a receita da massa; da cabeça e do apetite vieram o recheio e o molho. O processo foi uma delícia: amassar, abrir com rolo de macarrão, fazer e colocar o recheio, cortar… Uns minutinhos de suspense durante o cozimento e logo eu estava à mesa sendo surpreendida por uma massa leve e saborosa, em perfeita harmonia com o recheio de banana, o molho de vinho e as lascas de parmesão. Eu não imaginava que seria fácil e nem tampouco que acertaria na primeira tentativa. Mas assim foi.

– Vó, vou orçar e lhe aviso!

Receita para dois

Ingredientes para a massa (livro Chefs, receita assinada por Michele Romano)
165 g de farinha de trigo
2 ovos
1/2 colher de chá de sal

Ingredientes para o recheio
uma banana da terra grande ou 2 pequenas
um fio de azeite
duas pitadinhas de flor de sal
uma pitada de pimenta do reino

Ingredientes para o molho (sem medidas mesmo, fui colocando e experimentando)
vinho tinto
vinho do Porto
mel
manteiga
sal
castanhas do Pará picadinhas
um pouquinho de água
lascas de parmesão para finalizar

Modo de fazer
Cozinhe a banana da terra. Escorra a água
, aguarde esfriar um pouco, descasque e amasse a banana da terra com um garfo. Acrescente o azeite, o sal e a pimenta.
Para misturar a massa eu coloquei na panificadora, no ciclo massa. Mas não tem mistério misturar na mão: numa superfície de trabalho (uma bancada, por exemplo) despeje a farinha e o sal e abra um buraco no meio onde caibam os ovos. Quebre os ovos nesse espaço e bata ligeiramente com um garfo. Aos poucos, e com cuidado para o ovo não escapar, vá incorporando pequenas quantidades de farinha. Trabalhe a massa com os dedos até que esteja homogenea. Se precisar, acrescente um pouco mais de trigo pois o tamanho dos ovos varia. Eu utilizei uns cinco punhadinhos a mais de farinha e considerei o ponto certo quando a massa deixou de grudar nas minhas mãos mas ainda permanecia úmida. Trabalhe a massa até que esteja lisa e elástica (5-8 minutos), embrulhe-a em filme plástico e deixe-a descansar em temperatura ambiente por no mínimo 30 minutos e no máximo 2 horas.

massa bola

Esses pontinhos são temperos que usei: raspas de casca de limão e pimenta do reino.

Desembrulhe a massa, corte-a ao meio e embrulhe novamente uma das metades. Posicione a outra metade sobre uma superfície lisa ligeiramente esfarinhada. Deslize o rolo de macarrão pela massa, sempre de dentro para fora, sem pressionar demais. Vá girando a massa e continue até formar um círculo; estique-a o máximo possível. Coloque-a sobre uma toalha de mesa limpa e repita a operação com a outra metade.
Posicione a massa aberta na superfície de trabalho e marque levemete os intervalos para corte. Coloque o recheio no meio de cada marca e, com cuidado, coloque por cima a outra metade. Acerte a massa pressionando-a levemente ao lado das áreas recheadas e com o auxílio de um cortador próprio corte a massa (como eu usei cortadores de biscoito, dei uma pressionadinha nas bordas só pra me certificar que não abririam durante o cozimento).
Para armazenar até a hora do cozimento, forre um tabuleiro, tábua ou prato com filme plástico e sobre ele disponha as massas cortadas. Cubra com outra camada de filme plástico e outra de massa, terminando com o plástico. Vede as laterias e mantenha na geladeira até a hora do cozimento.

ravioli de banana guardar

Na hora de preparar, coloque uma panela com bastante água e sal para ferver e retire a massa da geladeira.
Enquanto isso, misture os ingredientes do molho noutra panela e deixe ferver em fogo bem baixinho. Quando chegar à consistência desejada, apague o fogo e acerte o tempero.
Voltando à panela com água, quando atingir a fervura, coloque a massa. Fique atento pois a massa fresca cozinha mais rápido. Escorra, junte o molho e sirva com lascas de parmesão.

Dicas: Se a massa estiver muito úmida, acrescente aos poucos farinha de trigo. Se estiver muito seca, molhe as mãos e continue trabalhando a massa; será mais fácil incorporar água assim do que colocando direto sobre a massa.
Na hora do cozimento o ideal é não adicionar óleo ou azeite à água pois eles envolvem a massa dificultando a absorção do molho. Para a massa não grudar basta mexer de vez em quando com um garfo ao longo do cozimento.

De lá para cá várias outras opções de remédios entraram no mercado como uma alternativa ao azulzinho, confira aqui um manual completo de como funciona o desde o momento da escolha até quais resultados esperar.

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13 comentários

  1. Maria,
    Não acreditei quando li o título do post. Ando pensando esses dias em fazer raviólis de banana da terra, uma receita que copiei na casa da minha sogra, mas é bem diferente da sua. Cheguei a comprar a banana, acabei fazendo apenas cozida, polvilhada com açúcar e canela, porque aqui em casa todos adoramos. E lá se foram as bananas… Vou comprar mais e certamente me lembrarei de você.
    Que coisa boa esse prato, não?
    Outra coisa que mostra nossa sintonia é que ando querendo comprar uma máquina de abrir massa elétrica e ontem minha filha me dizia ter visto uma…
    Ah, as histórias da cozinha em família rendem muitos casos para contar e você o faz de uma maneira muito gostosa de ler.
    Bjs.

    1. Obrigada pelas carinhosas palavras, Gina! Também adoro essas coincidências!
      Quero saber a sua receita!! Até porque o meu recheio saiu da cabeça sem nenhuma pesquisa e fiquei curiosa para conhecer as diferenças! Lá em Vitória costumo comer numa cantina chamada Spaghetti & cia um prato com Budião (peixe) com molho de vinagre de banana e ravioli de banana da terra. É simplesmente maravilhoso! Tenho agora que descobrir onde achar (ou como fazer) esse vinagre.
      Quanto à máquina, vi uma da Fun Kitchen que, pelo que entendi, bate, abre e corta massa! Mas ainda não liguei pra confirmar se é isso tudo mesmo… Mas adorei fazer na mão. O problema é que se for pra muita gente, haja tempo e braço!
      Grande beijo e ótimo final de semana!

  2. HUMMMMMMM!!! Outra receita de mestre!
    bjs

    1. Vamos fazer um dia numa parceria com os experts em massa que você tem em casa! Já falei dessa receita pro Vareta e já identificamos uma diferença: a massa dele leva água e a "minha" mais ovo.
      Beijo!! E bom final de semana!

  3. Oi, querida! Apesar de nunca ter sequer imaginado essa combinação, tô dentro! Provaria com certeza e é bem possível que me agradaria muito.

    1. Ôpa, que bom suscitar o interesse por outros sabores e combinações, Talita! Fiquei feliz!
      Inclusive, falando nisso, não gosto de usar maiosene nas receitas mas o aspecto do seu quibe é surpreendente! Fiquei com água na boca…
      Beijo e bom final de semana!!

  4. que delicia que deve ter ficado! vó, lindo presente para dar! aprovado! e méri, vai treinando que já vou preparando o estomâgo des de já! beijão!

    ps: comi um frois grois quente com sei lá mais o quê há pouco que desejei muito que vc estivesse do meu lado!

    1. Eu também desejei estar aí ao seu lado!!! E de certa forma estou; só não deu pra sentir o sabor…
      E pode deixar que estou treinando direitinho! Quando você voltar estarei aperfeiçoadíssima!!
      Beijo bonita! Você é muito bem vinda em todas as minhas casas, inclusive, nesta aqui!

  5. Maria, que vontade que me deu de comer esses raviólis… e esse seu post tão querido me fez lembrar das minhas vós também.
    Um beijo e boa semana procê ;***

    1. Tão bom termos essas referências, né, Fê?!
      Esse ravióli foi fruto da minha saudade de um prato que adoro num restaurante chamado Spaghetti e Cia: filé de budião com molho à base de vinagre de banana e ravióli de banana da terra. Para minha felicidade, ontem pude comê-lo novamente e aproveitei a presença do dono para perguntar como fazer o vinagre e o molho. E ele todo solícito me explicou em detalhes! : )
      Adorei sua visita, viu?! Beijo!

  6. por caridade ensine-me como fazer o molho a base de vinagre de banana.nao achei em culinaria nenhuma é segredo?

    1. Olá, Maria! Eu nunca fiz esse molho. Na ocasião o dono do restaurante me explicou e eu boba não anotei. Lembro que é uma redução de vinagre de banana (que eu nunca vi pra vender e de acordo com ele devemos deixar a banana prata bem madura fermentando por meses), vinagre balsâmico e manteiga. Essa receita está no livro editado pelo evento Brasil Sabor de 2006 (mas também não achei para vender…).
      Espero ter ajudado. Um abraço!

  7. Tânia Paes diz:

    Que maravilha Maria.Sua avó deve ter feto massas maravilhosas. Eu amo fazer massas.Todos que provam , aprovam. Meus nwyos dizem que não tem massa nais saborosa que a minha.Feita com amor e alma.Espero que continue a fazer .Bjs.Visite minha página. http://www.facebook.com / cbheftaniapaes

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